Enquanto o seu gole desce gelado, quase anestésico; eu engulo a seco o que deve ser digerido. Mas quando a sobriedade vier, estarei segura. Sem amnésias, sem culpas, sem o desejo envergonhado daquilo que não se recupera mais.
Enquanto ele se esconde, ou se mostra; enquanto eu não entendo, me fortaleço. Mas quando o aprendizado mostrar-se necessário, estarei sábia. Sem dúvidas, sem angústias, sem precisar me reinventar.
Enquanto ele desfruta ignorante de uma liberdade limitada aos seus caprichos, eu firmo os meus pés no chão para manter-me sólida. Mas quando tiver que caminhar sozinho, não terei apenas lembranças. Carrego uma bagagem rica em histórias, em verdades, em conquistas que tempo nenhum tirará de mim.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Árido
(Wanessa Bumagny)
Árido, no chão que é duro como pedra
eu quis plantar margarida
quem vai dizer que avisou pra eu
calcular a caída
quem vai dizer que não tentou
nunca na vida germinar no cimento
Não entrou, em um vulcão
só pra ver o que tinha dentro
e não parou, incandescente, até chegar ao centro
decolou, sem o ok. da torre de controle
saiu de barco a vela quando não tinha vento
No sol do meio-dia foi sem proteção
mais de um milhão de bandeiras diziam que não
dava pra ouvir até gritar a multidão
quem mandou queimando
quem mandou queimando
queimando quem mandou?
Não leu a bula e engoliu a pílula
não aprendeu direito a cartilha
não pulou corda, choveu pedra na quadrilha
quis acender o mundo com uma pilha
Árido, no chão que é duro como pedra
eu quis plantar margarida
quem vai dizer que avisou pra eu
calcular a caída
quem vai dizer que não tentou
nunca na vida germinar no cimento
Não entrou, em um vulcão
só pra ver o que tinha dentro
e não parou, incandescente, até chegar ao centro
decolou, sem o ok. da torre de controle
saiu de barco a vela quando não tinha vento
No sol do meio-dia foi sem proteção
mais de um milhão de bandeiras diziam que não
dava pra ouvir até gritar a multidão
quem mandou queimando
quem mandou queimando
queimando quem mandou?
Não leu a bula e engoliu a pílula
não aprendeu direito a cartilha
não pulou corda, choveu pedra na quadrilha
quis acender o mundo com uma pilha
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Sentidos
Os olhos fixos à TV denunciavam uma devoção platônica. Era noite de quarta-feira e, no Rio de Janeiro, o trânsito tumultuava horas antes de o Maracanã se vestir de vermelho e negro. Em pixel's, as cores criavam cenários quase lúdicos na tela, o que acelerava o peito e exercia uma incompreensível ansiedade. O entusiasmo era quase infantil, tal quais as atitudes que se seguiram desde então.
Como efeito de hipnose ou feitiço, deu-se, de maneira devastadora, a regressão. Perdeu-se as atuais referências, a maturidade ensaiada, a possibilidade de crescer junto a alguém. Resgatou-se, como numa viagem cujo destino fosse 5 ou 6 anos atrás, os desejos menores, o instinto descompromissado e o medo dos planos. Interessado em reviver esse momento, determinou novos focos. O futebol, a cerveja com os amigos, os show's de rock e as viagens, além do santificado espaço para o fitness, foram os principais refúgios.
As responsabilidades que se aproximavam devida à idade e à estabilidade que firmava-se, fez com que, de súbito, acovardasse. Ver-se homem deveria ser assustador para quem, de fato, ainda não precisara ser por completo. Justificar a radical mudança como medo, receio ou traumas o desenhou ainda mais fraco. O auxílio psicológico não ajudou, ao contrário do que muitos supunham. Apenas incentivou o egoísmo livre de culpas. Ou talvez tenha feito se mostrar como realmente era.
O resultado ainda é espantoso. É natural que esperemos o amadurecimento das pessoas, não o caminho inverso. Agora, todos os sentidos infantilizaram-se. Os olhos ainda brilham adimirados frente à TV. Da boca ouve-se o entusiasmo de tantos planos já empoeirados. Assim, os ouvidos selecionam o que interessa e interpreta sob o mesmo critério. Tão individualista quanto a visão, que parece só encontrar o próprio umbigo. O tato, suponho, otimista, acompanha o regresso à adolescência, sem a necessidade de detalhes.
A cada dia ele surge mais feliz, convencido das maravilhas do seu novo mundinho. E acompanhar parte disso é suficiente para adquirir certo asco. Ele abriu mão de tudo para voltar no tempo. Eu não abriria mão sequer desse sofrimento maldito por tal proposta. Acredito que as fases que vivemos têm seu tempo certo. Qualquer tentativa de recuperá-las será frustrada. Atropelará outra fase e desencadeará uma sequência de perdas irreparáveis. Mas por hora, aqueles olhos tão fascinados por outras paixões, não podem enxergar seu futuro.
Como efeito de hipnose ou feitiço, deu-se, de maneira devastadora, a regressão. Perdeu-se as atuais referências, a maturidade ensaiada, a possibilidade de crescer junto a alguém. Resgatou-se, como numa viagem cujo destino fosse 5 ou 6 anos atrás, os desejos menores, o instinto descompromissado e o medo dos planos. Interessado em reviver esse momento, determinou novos focos. O futebol, a cerveja com os amigos, os show's de rock e as viagens, além do santificado espaço para o fitness, foram os principais refúgios.
As responsabilidades que se aproximavam devida à idade e à estabilidade que firmava-se, fez com que, de súbito, acovardasse. Ver-se homem deveria ser assustador para quem, de fato, ainda não precisara ser por completo. Justificar a radical mudança como medo, receio ou traumas o desenhou ainda mais fraco. O auxílio psicológico não ajudou, ao contrário do que muitos supunham. Apenas incentivou o egoísmo livre de culpas. Ou talvez tenha feito se mostrar como realmente era.
O resultado ainda é espantoso. É natural que esperemos o amadurecimento das pessoas, não o caminho inverso. Agora, todos os sentidos infantilizaram-se. Os olhos ainda brilham adimirados frente à TV. Da boca ouve-se o entusiasmo de tantos planos já empoeirados. Assim, os ouvidos selecionam o que interessa e interpreta sob o mesmo critério. Tão individualista quanto a visão, que parece só encontrar o próprio umbigo. O tato, suponho, otimista, acompanha o regresso à adolescência, sem a necessidade de detalhes.
A cada dia ele surge mais feliz, convencido das maravilhas do seu novo mundinho. E acompanhar parte disso é suficiente para adquirir certo asco. Ele abriu mão de tudo para voltar no tempo. Eu não abriria mão sequer desse sofrimento maldito por tal proposta. Acredito que as fases que vivemos têm seu tempo certo. Qualquer tentativa de recuperá-las será frustrada. Atropelará outra fase e desencadeará uma sequência de perdas irreparáveis. Mas por hora, aqueles olhos tão fascinados por outras paixões, não podem enxergar seu futuro.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
tudo - pré - pós
Um dia a gente acha que tem um grande amor. No outro a gente vê que tem mesmo um grande amor. Mas que ele é só seu. Que só cresceu em você. De uma maneira injusta e intensa. Só os grandes amores nos levam às narrativas. Só eles expõem tantas fragilidades. E só os poetas, incuráveis e imbecis, como nós, românticos, podem ser tão ambíguos à critica.
Podemos ser patéticos, fracos, ao escrever essas lamúrias. Ou podemos ser referência em sensibilidade ao descrever emoções de maneira tão palpável. Podemos ser covardes por escrever tudo o que nos falta peito para dizer, gritar ou acreditar. E podemos ser heróis literários com anseios de libertação textual.
Volto a esse blog quase fantasma para dizer que toda a poesia publicada anteriormente fora perecível. Que o amor, a magia e a felicidade postados eram apenas um estilo pobre e cinfrim de faz de conta. Desses que nos dias de hoje não convencem sequer às crianças mais ingênuas.
Daqui em diante venho vez ou outra vomitar algumas palavras que traduzam minha contrariedade. Venho publicar algumas aspirações livres da influência de romances baratos. E transbordar de alguma forma a amargura de ter que enterrar algo ainda vivo. Contudo, virei dia-a-dia conferir seus últimos suspiros, até que eu me torne tola mais uma vez e me renda à doçura ilusória de todo iníncio.
Podemos ser patéticos, fracos, ao escrever essas lamúrias. Ou podemos ser referência em sensibilidade ao descrever emoções de maneira tão palpável. Podemos ser covardes por escrever tudo o que nos falta peito para dizer, gritar ou acreditar. E podemos ser heróis literários com anseios de libertação textual.
Volto a esse blog quase fantasma para dizer que toda a poesia publicada anteriormente fora perecível. Que o amor, a magia e a felicidade postados eram apenas um estilo pobre e cinfrim de faz de conta. Desses que nos dias de hoje não convencem sequer às crianças mais ingênuas.
Daqui em diante venho vez ou outra vomitar algumas palavras que traduzam minha contrariedade. Venho publicar algumas aspirações livres da influência de romances baratos. E transbordar de alguma forma a amargura de ter que enterrar algo ainda vivo. Contudo, virei dia-a-dia conferir seus últimos suspiros, até que eu me torne tola mais uma vez e me renda à doçura ilusória de todo iníncio.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Naftalina
Essa noite não quis jantar. Recolheu-se logo depois da novela. Não raramente perdia o apetite. A lentidão ao arrastar os chinelos denunciava qualquer debilitação. Morava com o filho mais velho, no 6º andar de um prédio bem localizado, em São Paulo. Parou frente à janela de seu quarto. Do alto podia avistar uma grande avenida e peculiaridades de suas ruas paralelas. Ali passara anos, de tocaia. Procurava o que não (re)conhecia. Decorara cada esconderijo, cada galpão abandonado, cada segredo que a madrugada escondia. Talvez não tivesse tanta exatidão em suas constatações. No escuro as vistas já não a ajudavam muito.
Não gostava de noticiários de espécie alguma. Para ela, jornais eram amaldiçoados por divulgarem tantas desgraças. Aos 20 anos não os leu mais. Durante décadas o marido manteve a assinatura de O Estadão. Uma das poucas coisas que a contrariara em 53 anos de casamento. Às vezes, Prestes insistia em comentar sobre alguma matéria que lhe chamara a atenção. Ela fingia não ouvir e cantarolava trechos de uma mesma canção, cujo não sabia a letra por inteiro.
Gostava de atualizar suas lembranças. Um ritual que ela fazia questão de executar todos os dias, rigorosamente. E jamais permitiu que ninguém, absolutamente ninguém, participasse. A precoce morte de Prestes, em outubro passado, aumentara sua necessidade de solidão. Como se o abandono a alimentasse de alguma forma que não a fizesse mal, mas pelo contrário.
As mãos magras, de pele fina e branca com pequenas manchas carameladas, exibiam o pulsar aflito de grossas veias, ao acariciar uma caixa de madeira escura. Olhou-a com ternura sobre a cama. E, antes de abri-la, assegurou-se de que a porta estava fechada. O olhar desconfiado desarmou-se aos poucos. Finalmente, a caixa aberta, retirou uma fotografia amarelada e apertou-a contra o peito enquanto suspirava dolorosamente. Acho que ela orava todas as noites pedindo a Deus que a levasse para perto de quem mais amou na vida. Esperava ansiosa por um reencontro certamente impossível. Indigno. O mofo no interior da caixa a fazia perceber a dureza dos anos.
Eram muitos papéis. Todos velhos, puídos. Um pequeno sabonete estava guardado ali, para talvez aromatizar as lembranças. Mas era de um perfume vagabundo, que mais parecia puro sebo. Retirou tudo da caixa. Desdobrava cada folha avulsa, lia e reorganizava-as com cuidado. As fotografias eram cinco e ficavam na superfície. Apenas um desenho ficara escondido.
Era um auto-retrato, de corpo inteiro, feito em carvão por um antigo amigo, quando tivera sido surpreendida pela primeira gravidez. Ruy era um homem de muitos talentos, dedicava-se, em especial, à arte. Talvez tenha se tornado famoso, feito exposições internacionais. Ou tenha se aposentado como servidor público. As recordações limitavam às longas tardes de conversa entre os dois, na juventude. Ao entregar-lhe o desenho como um presente de despedida, Ruy disse uma frase que marcaria cada um de seus dias.
“As sombras, em carvão no papel, se estenderão em seu reflexo no espelho a cada vez que tentar-te encarar com falsa amnésia”. As palavras soaram como uma maldição. E eram verdadeiras. Nenhum só dia o sono lhe foi tranqüilo. Os dias passavam sob uma tortura interminável, particular. Talvez outra vida lhe trouxesse a redenção. E a poupasse da penitência de um antiprazer de vida.
Antecipou-se, então. Guardou quase todos os documentos na caixa, restando um único papel, pequeno. Respirou fundo, tomou umas sete, oito pílulas do remédio que estava no gaveteiro e despejou algumas bolinhas brancas que sempre trazia consigo sobre a cama. Adormeceu.
Na manhã seguinte a encontraram com o corpo gélido. Nas mãos, uma nota fiscal inusitada. Sua primeira filha tivera sido vendida por 500 cruzeiros. Um segredo tão velho, tão bem guardado, que deixou no quarto um eterno e incômodo cheiro de naftalina.
Não gostava de noticiários de espécie alguma. Para ela, jornais eram amaldiçoados por divulgarem tantas desgraças. Aos 20 anos não os leu mais. Durante décadas o marido manteve a assinatura de O Estadão. Uma das poucas coisas que a contrariara em 53 anos de casamento. Às vezes, Prestes insistia em comentar sobre alguma matéria que lhe chamara a atenção. Ela fingia não ouvir e cantarolava trechos de uma mesma canção, cujo não sabia a letra por inteiro.
Gostava de atualizar suas lembranças. Um ritual que ela fazia questão de executar todos os dias, rigorosamente. E jamais permitiu que ninguém, absolutamente ninguém, participasse. A precoce morte de Prestes, em outubro passado, aumentara sua necessidade de solidão. Como se o abandono a alimentasse de alguma forma que não a fizesse mal, mas pelo contrário.
As mãos magras, de pele fina e branca com pequenas manchas carameladas, exibiam o pulsar aflito de grossas veias, ao acariciar uma caixa de madeira escura. Olhou-a com ternura sobre a cama. E, antes de abri-la, assegurou-se de que a porta estava fechada. O olhar desconfiado desarmou-se aos poucos. Finalmente, a caixa aberta, retirou uma fotografia amarelada e apertou-a contra o peito enquanto suspirava dolorosamente. Acho que ela orava todas as noites pedindo a Deus que a levasse para perto de quem mais amou na vida. Esperava ansiosa por um reencontro certamente impossível. Indigno. O mofo no interior da caixa a fazia perceber a dureza dos anos.
Eram muitos papéis. Todos velhos, puídos. Um pequeno sabonete estava guardado ali, para talvez aromatizar as lembranças. Mas era de um perfume vagabundo, que mais parecia puro sebo. Retirou tudo da caixa. Desdobrava cada folha avulsa, lia e reorganizava-as com cuidado. As fotografias eram cinco e ficavam na superfície. Apenas um desenho ficara escondido.
Era um auto-retrato, de corpo inteiro, feito em carvão por um antigo amigo, quando tivera sido surpreendida pela primeira gravidez. Ruy era um homem de muitos talentos, dedicava-se, em especial, à arte. Talvez tenha se tornado famoso, feito exposições internacionais. Ou tenha se aposentado como servidor público. As recordações limitavam às longas tardes de conversa entre os dois, na juventude. Ao entregar-lhe o desenho como um presente de despedida, Ruy disse uma frase que marcaria cada um de seus dias.
“As sombras, em carvão no papel, se estenderão em seu reflexo no espelho a cada vez que tentar-te encarar com falsa amnésia”. As palavras soaram como uma maldição. E eram verdadeiras. Nenhum só dia o sono lhe foi tranqüilo. Os dias passavam sob uma tortura interminável, particular. Talvez outra vida lhe trouxesse a redenção. E a poupasse da penitência de um antiprazer de vida.
Antecipou-se, então. Guardou quase todos os documentos na caixa, restando um único papel, pequeno. Respirou fundo, tomou umas sete, oito pílulas do remédio que estava no gaveteiro e despejou algumas bolinhas brancas que sempre trazia consigo sobre a cama. Adormeceu.
Na manhã seguinte a encontraram com o corpo gélido. Nas mãos, uma nota fiscal inusitada. Sua primeira filha tivera sido vendida por 500 cruzeiros. Um segredo tão velho, tão bem guardado, que deixou no quarto um eterno e incômodo cheiro de naftalina.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Bodas
O ritmo do galpão convidava. Entrei, mesmo prevendo o desagrado. Há muito, a favela se calou pra mim. Desde que Clarice nasceu. Mas hoje precisei ouvir outro som, um ruído qualquer que não me lembrasse do massacre social rotineiro que me sufoca. A música era vômito. Rejeição materializada da ladainha da mulher / mãe / dona de casa que me cansa, irremediavelmente. Precisei de outro mundo. De, por um instante, desconstruir minha realidade. Me abstraí, então, de ônibus e metrôs e filas de supermercado. De trânsito e sogra doente e criança a chorar. Deixei que as letras erotizadas despissem meus pensamentos. E estranhei o que antes me era familiar.
À direita, algumas jovens encenavam, fracassadas, uma tentativa de excitação plena. Não me atraiu. Pensei em Clarice. Na sua infância aqui, sob tais influências. Ou tendências. E uma porção de imagens me vieram em mente. Violentamente jogadas, sobrepostas. Me libertei do transe ao ouvir alguém a gritar: “Olha, que rabo gostoso!”. Respondendo, instantâneo, a instintos mais fortes, me virei e vi, ao canto da passarela, um belo traseiro. Assim, grande, ágil, flexível. Aquilo era anatomia em movimento! Confesso, pensei em comê-la. Cinco, seis horas. Talvez transar com outra pessoa transformasse meu mundo, me fizesse amar a mãe de Clarice novamente. Com mais tesão e menos solidariedade.
E com uma vagabunda dessas seria mais fácil. Aposto que toparia de tudo. Sem pudor, como agora, sem motivos, tem em casa. Mulheres loucas ou alianças com sensores antilibido? Daqui da platéia posso imaginar a cara de prazer dessa vadia. Mas, foi numa sólida requebrada, em que a mulher se inclinou para o público, que pude realmente ver seu rosto. Me lembrei do café da manhã, do aviso de que trabalharia o dia todo numa faxina e da vista à mãe. Não. Não era Gleice. E, reparando bem, aquela não era a calça que lhe dei no nosso primeiro aniversário de casamento.
À direita, algumas jovens encenavam, fracassadas, uma tentativa de excitação plena. Não me atraiu. Pensei em Clarice. Na sua infância aqui, sob tais influências. Ou tendências. E uma porção de imagens me vieram em mente. Violentamente jogadas, sobrepostas. Me libertei do transe ao ouvir alguém a gritar: “Olha, que rabo gostoso!”. Respondendo, instantâneo, a instintos mais fortes, me virei e vi, ao canto da passarela, um belo traseiro. Assim, grande, ágil, flexível. Aquilo era anatomia em movimento! Confesso, pensei em comê-la. Cinco, seis horas. Talvez transar com outra pessoa transformasse meu mundo, me fizesse amar a mãe de Clarice novamente. Com mais tesão e menos solidariedade.
E com uma vagabunda dessas seria mais fácil. Aposto que toparia de tudo. Sem pudor, como agora, sem motivos, tem em casa. Mulheres loucas ou alianças com sensores antilibido? Daqui da platéia posso imaginar a cara de prazer dessa vadia. Mas, foi numa sólida requebrada, em que a mulher se inclinou para o público, que pude realmente ver seu rosto. Me lembrei do café da manhã, do aviso de que trabalharia o dia todo numa faxina e da vista à mãe. Não. Não era Gleice. E, reparando bem, aquela não era a calça que lhe dei no nosso primeiro aniversário de casamento.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Variações do verbo 'querer'
Juliana queria sexo com Maurício. Mas seu pai não queria. Deus quis a Liz e todo mundo quis todo mundo depois.
Kênia queria uma pós-graduação para sair de casa. Sauer quer que ela saia para morar com ele e com o filho que já vem.
Jack queria mudar o remédio e Nilmar nunca quis parar de tirar fotos. Gabriel é um belo modelo fotográfico.
Giovana queria um conto de fadas. O principe, não. Agora Giovana lê historinhas antes de dormir. Mas Gabriel prefere dinossauros.
Carol não queria lembrar do remédio. Roney não quis parar pra perguntar. Hoje, os dois querem que se chame Lucas.
Dani queria ver mais homens nas festas. Diogo não queria ser só seu amigo. Depois do ultrasson, mais um menino. Miguel quis resolver o impasse.
Grazi queria que fosse má digestão. Liz quis um amigo. Juliana ganhou uma comadre. E Grazi ganhou o João.
*Eu quero só mandar um beijo muito especial para as mamães e papais que eu gosto tanto!!!
Kênia queria uma pós-graduação para sair de casa. Sauer quer que ela saia para morar com ele e com o filho que já vem.
Jack queria mudar o remédio e Nilmar nunca quis parar de tirar fotos. Gabriel é um belo modelo fotográfico.
Giovana queria um conto de fadas. O principe, não. Agora Giovana lê historinhas antes de dormir. Mas Gabriel prefere dinossauros.
Carol não queria lembrar do remédio. Roney não quis parar pra perguntar. Hoje, os dois querem que se chame Lucas.
Dani queria ver mais homens nas festas. Diogo não queria ser só seu amigo. Depois do ultrasson, mais um menino. Miguel quis resolver o impasse.
Grazi queria que fosse má digestão. Liz quis um amigo. Juliana ganhou uma comadre. E Grazi ganhou o João.
*Eu quero só mandar um beijo muito especial para as mamães e papais que eu gosto tanto!!!
Assinar:
Postagens (Atom)